Kojji



PENSAMENTOS PSICANALÍTICOS I


Faça Terapia

“Abrir a passagem da psique coletiva significa uma renovação da vida para o individuo, quer seja agradável ou desagradável. Todos querem agarrar-se a esta renovação: uns, porque assim aumentam sua sensação de vida, outros porque vêem nisso a promessa de um maior conhecimento, ou então esperam descobrir a chave que transformará suas vidas.”(JUNG).

"O objetivo terapêutico é acolher os impulsos de desenvolvimento que surgem na psique. Com isso, o indivíduo ganha mais competência para lidar consigo e com os outros: ele entende melhor a si mesmo, inclusive seus lados obscuros, cujas projeções podem depois ser reconhecidas mais facilmente. O objetivo abrangente é tornar-se mais autônomo, mais capaz de se relacionar e cada vez mais autêntico."(KAST, 1997, pág. 165).

“a tarefa do tratamento psicanalítico pode ser expressa nesta fórmula: sua tarefa consiste em tornar consciente tudo o que é patogenicamente inconsciente.” Conferências introdutórias sobre psicanálise(Parte III) VOLUME XVI(1916-1917)CONFERÊNCIA XVIII FIXAÇÃO EM TRAUMAS — O INCONSCIENTE.

“A angústia humana de prazer tornou-se compreensível como uma mudança fundamental na função fisiológica do prazer. Sofrer e suportar o sofrimento são resultados da perda da capacidade orgástica para o prazer.” (REICH, 1987, p.219).

“Durante os meses que passei no hospital militar [...] constatei que uma ferida ou fratura reagia à análise do Isso tanto quanto uma infecção renal, um coração doente ou uma neurose.”
“Não há doenças do organismo, físicas ou psíquicas, capazes de resistir à influência da análise. Não há domínio da medicina em que a descoberta de Freud não tenha sua utilidade.”(GRODDECK, 1997, p. 216-217).

“A nossa finalidade é liberar os afetos que, em dado momento, estiveram sujeitos a severa inibição e fixação. Isso se consegue soltando as incrustações do caráter. Toda dissolução bem sucedida de uma incrustação de caráter libera primeiro emoções de cólera ou de angústia. Tratando essas emoções liberadas como mecanismos psíquicos de defesa, conseguimos enfim restaurar no paciente a sua motilidade sexual e sensibilidade biológica. [...] a dissolução de um espasmo muscular não só libera a energia vegetativa mas, além disso e principalmente, reproduz a lembrança da situação de infância na qual ocorreu a repressão do instinto. Pode-se dizer que toda rigidez muscular contém a história e o significado da sua origem.” (REICH, 1987, p. 254).

“Cada psicanálise é, entre outras coisas, um estudo da história de vida de um indivíduo.Uma procura dos principais acontecimentos daquela vida, de suas conexões com outras, de suas causas e conseqüências psicológicas.” (BRENNER, 1987, p.255).

"No trabalho psicológico sempre se evidencia que, em muitos casos, a retirada das projeções que cegam e prendem a pessoa ao seu ambiente humano absolutamente não elimina o relacionamento com as outras pessoas; ao contrário, surge então um relacionamento autêntico, mais profundo, baseado não mais nos humores, aspirações e ilusões do Eu, mas sim numa sensação de ligação mútua, para além de uma instância objetiva e absoluta. Isso é dito com muita beleza no Brhadanyaka-Upanishad: 'o marido não é querido pela sua vontade, mas o marido é querido pela força do Self; a esposa não é querida pela sua vontade, mas a esposa é querida pela força do Self... deve-se procurar ver, ouvir, ponderar e reconhecer deveras o próprio Atma...'" (VON FRANZ, 1992, p. 189).

“No trabalho psicanalítico com um paciente, é evidentemente da maior importância prática saber qual é o perigo que o paciente mais teme inconscientemente. [...] Freud afirmou que a ansiedade é o problema central da enfermidade mental.” (BRENNER, 1987, p. 91).

“... a necessidade de punição é o pior inimigo de nosso trabalho terapêutico. Ela obtém satisfação no sofrimento que está vinculado à neurose, e por essa razão aferra-se à condição de estar doente. Parece que esse fato, uma necessidade inconsciente de punição, faz parte de toda doença neurótica. E aqui são inteiramente convincentes aqueles casos nos quais o sofrimento neurótico pode ser substituído por sofrimento de outra espécie. Referirei uma experiência desse tipo.
Certa vez, consegui livrar uma senhora, ainda solteira, já não tão jovem, do complexo de sintomas que a tinham condenado, por uns quinze anos, a uma existência de tormento, havendo-a excluído de qualquer participação na vida. Sentindo, então, que estava bem, lançou-se a uma intensa atividade, a fim de desenvolver seu talento, que não era pequeno, e de obter um pouco de reconhecimento, prazer e êxito, embora o momento fosse um pouco tardio. Cada um dos seus intentos, porém, terminava quando as pessoas a faziam reconhecer, ou ela própria reconhecia, que já possuía demasiada idade para realizar alguma coisa naquela área. Depois de cada desfecho dessa espécie, uma recaída na doença teria sido a coisa evidente; porém, ela não conseguia mais efetuar esse fato. E, no lugar disso, em cada oportunidade, ela se envolvia num acidente, que a colocava fora de ação, por um tempo, e lhe causava sofrimento. Caía e sofria entorse do tornozelo, ou contundia o joelho, ou feria a mão em alguma coisa que estava fazendo. Quando tomou consciência de quão grande podia ser sua participação nesses aparentes acidentes, ela, por assim dizer, mudou de técnica. Em vez de acidentes, surgiram indisposições com as mesmas causas — resfriados, amigdalites, estados gripais, afecções reumáticas —, até que, por fim, resolveu renunciar às suas tentativas, e toda a agitação findou.” (FREUD, 1932-1936, Vol XXII Conferência XXXII – ansiedade e vida instintual).


O contrato terapêutico

“Com os neuróticos, então, fazemos nosso pacto: sinceridade completa de um lado e discrição absoluta do outro. Isso soa como se estivéssemos apenas visando ao posto de um padre confessor. Mas há uma grande diferença, porque o que desejamos ouvir de nosso paciente não é apenas o que sabe e esconde de outras pessoas; ele deve dizer-nos também o que não sabe. Com este fim em vista, fornecemos-lhe uma definição mais detalhada do que queremos dizer com sinceridade. Fazemo-lo comprometer-se a obedecer à regra fundamental da análise, que dali em diante deverá dirigir o seu comportamento para conosco. Deve dizer-nos não apenas o que pode dizer intencionalmente e de boa vontade, coisa que lhe proporcionará um alívio semelhante ao de uma confissão, mas também tudo o mais que a sua auto-observação lhe fornece, tudo o que lhe vem à cabeça, mesmo que lhe seja desagradável dizê-lo, mesmo que lhe pareça sem importância ou realmente absurdo. Se, depois dessa injunção, conseguir pôr sua autocrítica fora de ação, nos apresentará uma massa de material — pensamentos, idéias, lembranças — que já estão sujeitos à influência do inconsciente, que, muitas vezes, são seus derivados diretos, e que assim nos colocam em condição de conjeturar sobre o material inconsciente reprimido do paciente e de ampliar, através das informações que lhe fornecemos, o conhecimento do ego a respeito do inconsciente.” (FREUD, 1937-1939, Vol XXIII, Parte II – O trabalho prático, Capítulo IV – A técnica da Psicanálise).


Descubra quem é você ( Conhece-te a ti mesmo)
"Só aquilo que somos realmente tem o poder de curar-nos."
“Quem olha para fora, sonha. Quem olha para dentro, acorda”.
"Ao que nos compete discernir, o único propósito da existência humana é jogar um pouco de luz nas trevas do mero ser." "Sou eu próprio uma questão colocada ao mundo e devo fornecer minha resposta; caso contrário, estarei reduzido à resposta que o mundo me der." (JUNG).

“Acredito que o homem é vivido por algo desconhecido. Existe nele um ‘Isso’, uma espécie de fenômeno que comanda tudo que ele faz e tudo que lhe acontece.[...] o ser humano é vivido pelo Isso.” 
“O Isso vive o homem; é a força que o faz agir, pensar, crescer, sentir-se bem ou doente, numa palavra, que o vive.”(GRODDECK, 1997, p.9 e 229). 

“Fantasias das origens: na cena primitiva, é a origem do indivíduo que se vê figurada; nas fantasias de sedução, é a origem, o surgimento da sexualidade; nas fantasias de castração, é a origem da diferença entre os sexos [...] dá se na cena da fantasia o que origina o próprio sujeito.” (LAPLANCHE & PONTALIS, 1977, p.61).

“A neurose obsessiva cria objetivos substitutos no lugar dos objetivos sexuais originais inatingíveis e os sintomas de compulsão mental acham-se ligados à realização de tais objetivos substitutos.” (ABRAHAM, 1970, p. 38).

“O homem nasce livre, mas é como escravo que ele passa sua vida.
Os homens são iguais ao nascer; mas não crescem iguais.
O homem elaborou grandes doutrinas, mas cada uma delas foi o instrumento de sua escravidão.
O homem é o ‘Filho de Deus’ criado à Sua imagem; mas o homem é ‘pecador’, exposto aos ataques do ‘Demônio’. Como pode haver Demônio e Pecado, se Deus é o único criador dos seres?
A humanidade nunca conseguiu responder à pergunta de como pode haver MAL, se um DEUS perfeito criou e governa o mundo e os homens.” (REICH, 1987a, p. 1 e 2).

"O pensamento é gozo. O que traz o discurso analítico é isto, que já estava tomado na filosofia do ser - há gozo do ser[…] O ser … é o ser da significância. E não vejo no quê é decepcionar os ideais do materialismo - digo aos ideais porque está fora dos limites de sua épura - reconhecer a razão do ser da significância no gozo, no gozo do corpo. (LACAN, 1975, p. 96.)

"Quem, por conseguinte, desejar encontrar uma resposta ao problema do mal, tal como é colocado hoje em dia, necessita em primeiro lugar de um conhecimento de si mesmo, isto é, de um conhecimento tão profundo quanto possível de sua totalidade. Deve saber, sem se poupar, a soma de atos vergonhosos e bons de que é capaz, sem considerar a primeira como ilusório ou a segunda como real. Ambas são verdadeiras enquanto possibilidades e não poderá escapar a elas se quiser viver (como obviamente deveria), sem mentir a si mesmo e sem vangloriar-se." (JUNG, 1978, p. 285).

“O simbólico dá uma forma na qual se insere o sujeito no nível de seu ser. É a partir do significante que o sujeito se reconhece como sendo isto ou aquilo. A cadeia dos significantes tem um valor explicativo fundamental, e a própria noção de causalidade não é outra coisa.

O domínio do conhecimento é fundamentalmente inserido na primitiva dialética paranóica da identificação com o semelhante. É daí que parte a primeira abertura de identificação com o outro, a saber: um objeto. Um objeto se isola, se neutraliza, e como tal se erotiza particularmente. É o que faz entrar, no campo do desejo humano, infinitamente mais objetos materiais do que os que entram na experiência animal.

Nesse cruzamento recíproco do imaginário e do simbólico, reside a fonte da função essencial desempenhada pelo eu na estruturação da neurose.” (LACAN 1988).

“O que acontece com a fobia da sujeira é o mesmo que acontece com a fobia do cocô e do xixi.”(GRODDECK, 1997, p. 157).

"O fetichismo é uma transposição do imaginário. Ele se torna um símbolo." (LACAN, 1953).

“O ser humano é bissexual ao longo de toda sua vida e assim permanece durante toda sua existência. [...] E assim como não há pessoas puramente heterossexuais, também não há homossexuais puros. [...] ” (GRODDECK, 1997, p.188).

“Nossa visão da realidade é constantemente influenciada por nossos próprios desejos, medos, esperanças e recordações.” (BRENNER, 1987, p. 74).

“O mundo mental é um mundo de infinitas possibilidades de significados;um mundo interno coerente deve ser construído a partir de um estado amorfo, pela ação do pensamento sobre a percepção das experiências emocionais. Um aparelho, misteriosamente moldado sobre a capacidade de rêverie da mãe, desenvolve-se durante a primeira infância, com a finalidade de poder derivar destas experiências pensamentos que poderão ser usados para pensar, Mas ao mesmo tempo, forma-se uma organização rival, para a produção de mentiras, que servem apenas para criar ilusões e objetos bizarros, ou para promover evacuações. O PRIMEIRO ALIMENTANDO A MENTE; O SEGUNDO, ENVENENANDO-A.” (MELTZER apud WILHEIM, 1988, p.94).

" ... porque falta a coragem de se encontrar a si próprio. Isso significa, para a psicologia profunda, a coragem de encontrar-se e confrontar-se com a própria 'sombra', o que não é, pura e simplesmente, mal. Sombra é, antes, tudo o que há de submerso, esquecido ou silenciado, tudo o que é penoso e, portanto, é removido. É também tudo aquilo que não se viveu, não se realizou, embora houvessem condições para tanto. Em resumo: é o 'lado obscuro' da personalidade." (WOLFF, 1990, p. 72).

“Muitos casos de comportamento ritualista, tanto em crianças quanto em adultos,contém elementos que se ustificam nessa base, consciente ou inconscientemente destinam-se a anular o efeito de algum impulso do id que o ego considere perigoso.” (BRENNER, 1987, p.102).

“O desespero em ralação à vida é o resultado de uma renúncia ao objetivo sexual. [...] A sensação de culpa e pecado corresponde ao ódio reprimido. O delírio de pobreza é uma expressão do mesmo fato (dinheiro = amor).” (ABRAHAM, 1970, p. 15).

"Há necessidade de pessoas que conheçam sua sombra, pois precisa haver pessoas que não projetem. Deveriam estar numa posição visível, onde seria de se esperar que projetassem, mas inesperadamente elas não projetam! Poderiam dar um exemplo visível, que não seria visto se elas fossem invisíveis." (JUNG, 2002, p. 337).

“Quando identificamos o bem com o construtivo, existe a possibilidade de que a vida continue numa forma mais ou menos suportável; mas se o destrutivo predominasse, o mundo já teria desaparecido. Isto não aconteceu ainda; podemos supor então que o positivo supera o negativo. Por isso é suposição otimista da psicoterapia que a conscientização acentua mais a existência do bem do que do mal obscurecedor. A conscientização é de fato uma reconciliação dos opostos e constitui assim um terceiro mais elevado." (JUNG, 2002, p. 421).

“A experiência analítica demonstrou que muitas pessoas atribuem a outros seus próprios desejos e impulsos dos quais, por lhe serem inaceitáveis, procuram inconscientemente se livrar, por assim dizer, pelo mecanismo da projeção.” (BRENNER, 1987, p.105).

“Quanto mais a máscara aderir a pele do ator mais dolorosa será a operação psicológica para despi-la. Olhar-se no espelho e ver cruamente a face é um ato de coragem, é poder ver o nosso lado escuro onde moram todos os nossos defeitos que tanto nos desagradam.” (JUNG).


Tenha mais prazer

“Quando a tensão libidinosa que, de ordinário, acha-se limitada unicamente ao órgão genital, irradia-se bruscamente em todo o organismo, este, por um curto instante, não apenas divide o prazer com os órgãos sexuais, mas também goza novamente a felicidade intra-uterina.”(FERENCZI, 1967, p.82).

“As fases do coito devem ser compreendidas como ações simbólicas pelas quais o indivíduo revolve os prazeres da existência intra-uterina, a angústia do nascimento e, finalmente, a alegria de ter escapado são e salvo do perigo.” [...]Pela nossa hipótese, o coito, em sua essência,é apenas a libertação de uma tensão penosa para o indivíduo e, ao mesmo tempo, a satisfação do instinto de retorno à mãe e ao oceano, ancestral de todas as mães. [...] O que se exprime no orgasmo, é a calma intra uterina.”(FERENCZI, 1967, p. 91, 105 e 109).

“Potência orgástica é a capacidade de abandonar-se, livre de quaisquer inibições, ao fluxo de energia biológica; a capacidade de descarregar completamente a excitação sexual reprimida, por meio de involuntárias e agradáveis convulsões do corpo.” (p. 94). “A excitação orgástica toma conta do corpo inteiro e produz fortes convulsões da musculatura do corpo todo. [...] o clímax representa o ponto decisivo no seguimento da excitação; isto é, antes do clímax, a direção da excitação é para o genital; após o clímax, a excitação reflui do genital. Essa completa volta da excitação do genital para o corpo é que constitui a satisfação.”(REICH, 1987, p.94 e 98).

“Deixar a Vida fluir livremente, desimpedida das distorções que a tornam feia e assassina, será o primeiro passo em direção à liberdade e à paz na terra.” (REICH, 1987a, p. 250).



Tenha sucesso

“Outra característica da atividade do superego é que ela pode resultar em uma necessidade inconsciente de expiação ou autopunição. Essa necessidade de punição, em si própria inconsciente, em geral só pode ser descoberta pela psicanálise.” (BRENNER, 1987, p. 135).

“Não é raro, por exemplo, que um indivíduo inconscientemente se esquive ao êxito em seu trabalho, [...] para acabar definitivamente com um conflito que de outro modo seria intensamente desagradável. Além disso, as restrições rigorosas do ego servem muitas vezes para satisfazer uma exigência do superego de punição ou penitência.” (BRENNER, 1987, p.193).

 


Não se reprima, fique saudável

“Em todas as manifestações instintivas que podemos observar, sejam normais ou patológicas, participam ambos os impulsos sexual e agressivo.” (BRENNER, 1987, p. 35).

“Devemos um lugar importante ao papel patogênico atribuído à emoção. As perturbações orgânicas concomitantes da emoção foram objeto de numerosos trabalhos; ao lado dos distúrbios vasculares, o laboratório revelou perturbações humorais: choque hemoclásico, variações da química sanguínea. A clínica traz fatos certos de desencadeamentos das psicoses pela emoção.” (LACAN, 1987).

“O desejo recalcado se manifesta na doença; a doença em todas suas formas, quer sejam funcionais ou orgânicas, quer seu nome seja broncopneumonia ou melancolia.”(p.91). 
“Quanto mais profundo for o conflito íntimo do ser humano, mais graves serão as doenças, pois elas representam simbolicamente o conflito. [...] A doença tem uma razão de ser: ela deve resolver o conflito, recalcá-lo e impedir o que foi recalcado de chegar ao consciente. [...] Quando quebramos um braço é porque pecamos ou queríamos pecar com o braço: assassinar, matar, masturbar-se. Quando alguém fica cego, é porque não queria mais ver, porque pecou com os olhos ou tinha a intenção de fazê-lo; quando alguém fica sem fala é porque tinha um segredo e não ousava contá-lo bem alto.(p.95). As dores lombares no momento das regras facilitam a resistência da mulher contra seus desejos” (p.94).
“Meu tratamento consiste em tentar tornar conscientes os complexos inconscientes do Eu.” (p.228). (GRODDECK, 1997).

“Conter a agressividade é, em geral, nocivo e conduz à doença (à mortificação). Uma pessoa num acesso de raiva com freqüência demonstra como a transição da agressividade, que foi impedida, para a autodestrutividade, é ocasionada pelo desvio da agressividade contra si própria: arrancar os cabelos ou esmurrar a face, embora, evidentemente, tivesse preferido aplicar esse tratamento a outrem. Uma porção de autodestrutividade permanece interna, quaisquer que sejam as circunstâncias, até que, por fim, consegue matar o indivíduo, talvez não antes de sua libido ter sido usada ou fixada de uma maneira desvantajosa. Assim, é possível suspeitar de que, de uma maneira geral, o indivíduo morre de seus conflitos internos, mas que a espécie morre de sua luta malsucedida contra o mundo externo se este mudar a ponto de as adaptações adquiridas pela espécie não serem suficientes para lidar com as dificuldades surgidas.” (FREUD, 1980).

“Há muitos anos sustento a opinião de que a atividade interna do instinto de morte dá origem ao medo de aniquilamento e de que é essa a causa primeira da ansiedade persecutória.” (KLEIN).

“Não há nenhum caso de esquizofrenia que, uma vez que se estabeleça o mais leve contato com o paciente, não revele conflitos sexuais inconfundíveis.” “Se alguém conhece realmente a terrível angústia das crianças pequenas que são proibidas de masturbar-se, então entenderá semelhante comportamento em pacientes neuróticos. Eles desistem do mundo, e dementes, praticam o ato que um mundo irracionalmente governado uma vez lhes proibiu.” (REICH, 1987, p.67-69).

“A estase de excitação é o fator sempre presente simultâneo da enfermidade; não contribui para o conteúdo da neurose mas lhe fornece energia. As fixações patológicas incestuosas pelos pais, pelos irmãos e irmãs, perdem a sua força quando se elimina a estase simultânea de energia, i.e., quando a plena satisfação orgástica é experimentada no presente real.” (REICH, 1987, p. 103).

“A situação torna-se traumática e gera a ansiedade somente quando esses estímulos não podem ser adequadamente dominados ou descarregados. [...] o nascimento constitui o protótipo das situações traumáticas ulteriores.[...] as situações traumáticas que surgem em conseqüência das exigências do id são as mais comuns e as mais importantes nos primórdios da vida. ” (BRENNER, 1987, p.87).

“A doença não provém do exterior, o próprio ser humano a produz; o homem só se serve do mundo exterior como instrumento para ficar doente, escolhendo em seu inesgotável arsenal de acessórios ora a espiroqueta da sífilis, ora uma casca de banana, depois uma bala de fuzil ou um resfriado para proporcionar a si mesmo uma dor. Faz isso sempre com a intenção de sentir prazer, pois, em sua qualidade de ser humano, faz parte de sua natureza sentir prazer com o sofrimento; porque em sua qualidade de humano, está em sua natureza sentir-se culpado e querer afastar essa sensação de culpa através da autopunição; porque quer evitar só deus sabe que incômodo.”(GRODDECK, 1997, p. 219).

“O sintoma neurótico é a manifestação de um impulso instintivo reprimido que surgiu, disfarçado, através da repressão. [...] O desejo sexual inconsciente e a defesa moralista contra ele deveriam ser descobertos a partir do sintoma. Por exemplo, o medo de uma garota histérica de ser atacada por um homem armado com uma faca é uma representação disfarçada do desejo de relação sexual, inibido pela moralidade e empurrado para o inconsciente pela repressão. O sintoma resulta da inconsciência do impulso instintivo proibido. [...] A cura consegue-se, de acordo com Freud, tornando consciente o impulso reprimido e acessível, assim, à condenação do ego maduro. Como a inconsciência de um desejo é a condição do sintoma, o torná-lo consciente deve causar-lhe a cura.” (REICH, 1987, p.38).

"O sintoma é a inscrição do simbólico no real." 
"O que não veio à luz no simbólico, aparece no real."
"O desejo reproduz a relação do sujeito com o objeto perdido".
"... o desejo do homem encontra seu sentido no desejo do outro, não tanto porque o outro detenha as chaves do objeto desejado, mas porque seu primeiro objeto (do desejo do homem) é ser reconhecido pelo outro". (LACAN).

“O caso de vômitos de uma jovem mulher. Durante a análise evidenciou-se que a paciente tinha um desejo inconsciente, reprimido, de ser fecundada pelo pai. O desejo e suas contracatexias originaram-se durante o período edipiano da vida da paciente. A solução relativamente estável que ela conseguiu encontrar para este e outros conflitos edipianos da infância funcionou satisfatoriamente até que seus pais se divorciaram e o pai tornou a casar quando ela tinha cerca de vinte anos. Esses acontecimentos reativaram-lhe os conflitos edipianos e perturbaram-lhe o equilíbrio intrapsíquico que conseguira estabelecer anos antes, e, em conseqüência, as forças do seu ego não mais podiam controlar adequadamente os desejos edipianos. Nesse caso, uma das formações de compromisso resultantes foi o sintoma do vômito, o qual representava inconscientemente a gratificação do desejo edipiano, reprimido, de ser fecundada pelo pai, como se a paciente estivesse demonstrando pelo vômito: “Veja, sou uma mulher grávida, com náuseas matinais”. Ao mesmo tempo, o sofrimento causado pelos vômitos e a ansiedade que os acompanhava eram a expressão do medo e da culpa, inconscientes do ego, associado ao desejo em questão.” (BRENNER, 1987, p. 197).

“A neurose não é mais que a soma total de todas as inibições cronicamente automáticas de excitação sexual natural. [...] A contradição psíquica entre a sexualidade e a moralidade opera na profundidade biológica do organismo como a contradição entre a excitação agradável e o espasmo muscular.” (REICH, 1987, p.221).

"Sabemos porque todos nós inventamos um truque para preencher um buraco (trou) no Real. Ali onde não há relação sexual, isso produz troumatisme. Intenta-se. Inventa-se o que pode, é claro."(LACAN,O Seminário, Livro 21, Les non-dupes errent.) 

“A intensidade de uma idéia psíquica depende da excitação somática momentânea à qual é associada. A emoção tem origem nos instintos, portanto no campo somático. Uma idéia, por outro lado, é uma formação não-física, puramente “psíquica”. Qual é, então a relação entre a idéia “não física” e a excitação “física”? Quando uma pessoa é sexualmente excitada de maneira plena, a idéia da relação sexual é vívida e insistente. Após a satisfação, por outro lado, não pode ser imediatamente reproduzida; é fraca, descolorida e, de certa forma,nebulosa. Não pode haver dúvidas de que esse fato continha o segredo da relção entre a neurose de angústia fisiogênica e a psiconeurose psicogênica. [...] uma idéia psíquica dotada de uma pequeníssima quantidade de energia pode provocar um aumento de excitação. Por sua vez, essa excitação provocada torna a idéia insistente e vívida. Se cessa excitação, a idéia também desaparece. Se, como no caso da neurose estásica, uma idéia consciente do ato sexual não consegue materializar-se por causa da inibição moral, o que acontece é que a excitação se prende a outras idéias que podem ser pensadas mais livremente. Concluí disso que a neurose estásica é uma perturbação física provocada pela excitação sexual inadequadamente resolvida, i.e., insatisfeita. Entretanto, sem uma inibição psíquica, a excitação sexual seria sempre adequadamente descarregada. Uma vez que a inibição haja produzido uma estase sexual, pode facilmente acontecer que a última intensifique a inibição e reative idéias infantis, que tomam o lugar das idéias normais.” 
“A fonte de energia da neurose tem origem na diferença entre o acúmulo e a descarga da energia sexual. [...] a meta mais importante da terapia analítica causal é o estabelecimento da potência orgástica: a capacidade de descarregar a energia sexual acumulada.”(REICH, 1987, p.87 e 102).

“Se as atividades sexuais não-genitais são reprimidas, a função genital se torna perturbada. Essa perturbação provoca fantasias e ações pré-genitais. As fantasias e atividades sexuais pré-genitais, que encontramos nas neuroses e perversões, são não apenas a causa das perturbações genitais, mas, de qualquer forma, também o resultado dessa perturbação.”(REICH, 1987, p.103).

“Quanto mais a zona genital se retira para o segundo plano como fonte de prazer, mais os indivíduos se voltam para o erotismo oral e anal.” (ABRAHAM, 1970, p. 77).

“Os que estão psiquicamente enfermos precisam de uma só coisa- completa e repetida satisfação genital. [...] A gravidade de todas as formas de enfermidade psíquica está diretamente relacionada com a gravidade da perturbação genital. As probabilidades de cura e o sucesso da cura dependem diretamente da possibilidade de estabelecer a capacidade para a satisfação genital. Das centenas de casos que observei e tratei ao longo de vários anos de trabalho extensivo e intensivo, não havia uma só mulher que não tivesse uma perturbação orgástica vaginal. Uns sessenta ou setenta por cento dos pacientes masculinos tinham perturbações genitais graves.” (REICH, 1987, p.89-90).

“O sintoma somático pode ser eliminado através da conscientização do seu significado psíquico, pois qualquer mudança na esfera das idéias psíquicas deve por força equivaler funcionalmente às mudanças da excitação vegetativa. Assim, não é só a conscientização de uma idéia consciente que cura, mas a modificação causada pela excitação.” (REICH, 1987, p.290).

“O que é recalcado originariamente do ser faz sua presença no mundo, como se sua presença aparecesse em proporção inversa nos entes. O ser é transfundido nos seres graças ao esquecimento: damos nossa forma ao mundo graças a esse transe, a este golpe alucinatório do recalque.”(POMMIER 1992, p.177).

“Aquilo que o homem, o ser humano detesta, despreza, censura, é a base original de sua própria natureza.”(GRODDECK, 1997, p.186).

“A lei íntima, e não a lei exterior, é a medida da verdadeira liberdade. O fanatismo moralista é o inimigo mais perigoso da moralidade natural.” (REICH, 1987, p.25).

“Toda vez que ocorre um fenômeno a dois tempos, na obsessão, por exemplo, o primeiro tempo é a angústia, e o segundo é a culpabilidade que dá apaziguamento à angústia no registro da culpabilidade.” (LACAN, 1953)

“Observando de mais perto, não se vê que aquilo que a cientificidade erradica não é absolutamente o sujeito, mas a contradição sintomática, isto é, a sexualidade? Quando inventa cifras e as maneja, um sujeito simboliza as potências que regem as forças do mundo, e os símbolos que emprega lhe roubam menos de sua carne que seu sentido sexual. O símbolo civiliza, mas dessexualiza ao mesmo tempo. É neste sentido que a pureza da cifra, longe de eliminar o sujeito, expões a conseqüência última de sua relação ao sexo. Para os platônicos, a equivalência entre a alma e a matemática não é justificada pela perspectiva de uma plenitude? A cifra é “platônica”, no sentido em que erradica o sexo. Uma bela equação não é o que se pode querer de melhor para a harmonia de uma alma, inteiramente exterior à discórdia entre as palavras e o sexo, e o matemático não estará destinado a eliminar o que resta de sintomático na fala? Se for platônica, a cifra é a da alma, mas para ser freudiana, é a do sintoma.” (POMMIER, 1992, p.63).


 

O mecanismo das depressões: incapacidade para o prazer e autodestruição.

“Um dos primeiros resultados da investigação freudiana das neuroses foi a descoberta de que a ansiedade neurótica se originava da repressão sexual e que esta origem servia para diferenciá-la do medo comum. Da mesma maneira podemos distinguir entre o sentimento de tristeza ou pesar e a depressão neurótica, sendo a última inconscientemente motivada e conseqüência da repressão. [...] Um neurótico entrará em ansiedade quando seu instinto se esforça por obter uma satisfação que a repressão o impede de atingir; a depressão se estabelece quando ele tem de abandonar o seu objetivo sexual sem haver obtido satisfação.” (ABRAHAM, 1970, p. 32).

“Se o impulso sexual for demasiadamente reprimido e, em particular, isso acontecer muito cedo, teremos em conseqüência provavelmente um indivíduo cuja capacidade para o prazer será gravemente prejudicada. Caso o impulso agressivo seja o que ele indevidamente controla, então o indivíduo será incapaz de enfrentar qualquer competição normal com seus iguais. Além disso, porque a agressividade, que não se pode expressar contra os demais, volta-se tão freqüentemente contra si próprio, o indivíduo pode se tornar, de maneira mais ou menos evidente, autodestruidor.” (BRENNER, 1987, p. 192). – 

“A idéia de culpa contém a realização de um desejo. [...] Em resultado da repressão do sadismo, surge a depressão, a ansiedade e a auto-acusação. Contudo, se for obstruída uma fonte tão importante de prazer, da qual fluem os instintos ativos, tem de haver um reforço das tendências masoquistas. [...] Antes que se estabeleça o verdadeiro estado de depressão, muitos pacientes apresentam uma energia acima do normal em suas atividades e maneira de vida. Freqüentemente sublimam de uma maneira forçada a libido que não podem dirigir para seu verdadeiro propósito. Fazem isso a fim de fechar os olhos para o conflito existente dentro deles e desviar o estado mental depressivo que está tentando irromper na consciência.” (ABRAHAM, 1970, p. 41).

“Fomos levados a presumir que a psicogênese da melancolia se acha estreitamente vinculada com os desapontamentos ocorridos no início da vida do paciente, ou mais tarde, e devemos conseqüentemente esperar encontrar nele sentimentos hostis extremamente intensos para com todas aquelas pessoas que tão fatalmente frustraram sua necessidade narcísica de amor.” (ABRAHAM, 1970, p. 120).

“A depressão melancólica deriva-se de experiências desagradáveis ocorridas na infância do paciente.” (ABRAHAM, 1970, p. 124).

“O objetivo de um tratamento da melancolia: abolis os impulsos libidinais regressivos do indivíduo e efetuar um desenvolvimento de sua libido até que ela atina o estágio de organização genital e completo amor objetal.” (ABRAHAM, 1970, p. 135).



O Complexo de Édipo

“Durante a fase do complexo de Édipo normal, encontramos a criança ternamente ligada ao genitor do sexo oposto, ao passo que seu relacionamento com o do seu próprio sexo é predominantemente hostil. No caso do menino, isso não é difícil de explicar. Seu primeiro objeto amoroso foi a mãe. Continua sendo, e, com a intensificação de seus desejos eróticos e sua compreensão interna mais profunda das relações entre o pai e a mãe, o primeiro está fadado a se tornar seu rival. Com a menina, é diferente. Também seu primeiro objeto foi a mãe. Como encontra o caminho para o pai? Como, quando e por que se desliga da mãe? Há muito tempo compreendemos que o desenvolvimento da sexualidade feminina é complicado pelo fato de a menina ter a tarefa de abandonar o que originalmente constituiu sua principal zona genital — o clitóris — em favor de outra, nova, a vagina.” (FREUD,1931).

“Por que os conflitos edipianos, embora presentes em toda criança, têm conseqüências tão mais desfavoráveis para umas do que para outras? Por que deixam algumas crianças psicologicamente inválidas, para o resto de sua vida, ao passo que outras são afetadas apenas num grau que consideramos normal?” (BRENNER, 1987, p. 254).

“Não há, propriamente, diremos nós, simbolização do sexo da mulher como tal. Em todo o caso, a simbolização não é a mesma, não tem a mesma fonte, não tem o mesmo modo de acesso que a simbolização do sexo do homem. E isso, porque o imaginário fornece apenas uma ausência, ali onde alhures há um símbolo muito prevalente.
É a prevalência da Gestalt fálica que, na realização do complexo edípico, força a mulher a tomar emprestado um desvio através da identificação com o pai, e portanto a seguir durante um tempo os mesmos caminhos que o menino. O acesso da mulher ao complexo edípico, sua identificação imaginária, se faz passando pelo pai, exatamente como no menino, em virtude da prevalência da forma imaginária do falo, mas na medida em que esta é ela própria tomada como o elemento simbólico central do Édipo.
Se, tanto para a menina como para o menino, o complexo de castração assume um valor-pivô na realização do Édipo, é muito precisamente em função do pai, porque o falo é um símbolo do qual não há correspondente, equivalente. É de uma dissimetria no significante que se trata. Essa dissimetria significante determina as vias por onde passará o complexo de Édipo. As duas vias fazem eles passarem na mesma vereda - a vereda da castração.” (LACAN, 1988).

“O conflito psíquico central é a relação sexual entre a criança e os pais. Está presente em toda neurose. É o armazém histórico da experiência, de que se alimenta o conteúdo da neurose. Todas as fantasias neuróticas podem ser reduzidas à primeira vinculação sexual da criança com os pais.” (REICH, 1987, p. 103).

“A primeira tentativa, oral, não sucedida, de retorno ao seio materno, foi seguida pelos períodos (que poderíamos chamar de autoplásticos) anal e masturbador, durante os quais o indivíduo procura um substituto fantasmagórico para o objeto perdido, à altura de seu próprio corpo; mas, é com o auxílio do órgão genital masculino, só assim, que se pode realizar a primeira tentativa válida de concretizar esta tendência, de novo modo, por aloplastia, de início sobre a própria mãe, depois sobre outras mulheres do ambiente.” (FERENCZI, 1967 p. 58).

“Ora, a realização da posição sexual no ser humano esta ligada, nos diz Freud - e nos diz a experiência - à prova da travessia de uma relação fundamentalmente simbolizada, a do Édipo, que comporta uma posição que aliena o sujeito, isto é, o faz desejar o objeto de um outro, e possuí-lo por procuração de um outro. Encontramo-nos portanto aí numa posição estruturada na própria duplicidade do significante e do significado. É na medida em que a função do homem e da mulher é simbolizada, é na medida em que ela é literalmente arrancada ao domínio do imaginário para ser situada no domínio do simbólico, que se realiza toda posição sexual normal, consumada. É pela simbolização a que é submetida, como uma exigência essencial, a realização genital - que o homem se viriliza, que a mulher aceita verdadeiramente sua função feminina.” (LACAN, 1988).


Ame

“O amor sexual é indubitavelmente uma das principais coisas da vida, e a união da satisfação mental e física no gozo do amor constitui um de seus pontos culminantes.” (FREUD, 1915 [1914] Vol. XII - Observações sobre o amor transferencial (novas recomendações sobre a técnica da psicanálise III). 

“No amor é dar o que não se tem para quem não quer”.(LACAN).

“O amor não admite apenas um, mas três opostos. Além da antítese ‘amar-odiar’, existe a outra de ‘amar-ser amado’; além destas, o amar e o odiar considerados em conjunto são o oposto da condição de desinteresse ou indiferença. A segunda dessas três antíteses, amar-ser amado, corresponde exatamente à transformação da atividade em passividade e pode remontar a uma situação subjacente, da mesma forma que no caso do instinto escopofílico. Essa situação é a de amar-se a si próprio, que consideramos como sendo o traço característico do narcisismo. Então, conforme o objeto ou o sujeito seja substituído por um estranho, o que resulta é a finalidade ativa de amar ou a passiva de ser amado — ficando a segunda perto do narcisismo. [...] Assim, a palavra ‘amar’ desloca-se cada vez mais para a esfera da pura relação de prazer entre o ego e o objeto, e finalmente se fixa a objetos sexuais no sentido mais estrito e àqueles que satisfazem as necessidades dos instintos sexuais sublimados.” (FREUD, 1915, Vol XIV – o instinto e suas vicissitudes).

“Se uma pessoa encontra obstáculos intransponíveis nos seus esforços para experimentar o amor ou a satisfação das exigências sexuais, começa a odiar. Mas o ódio não pode ser expresso. Deve ser refreado para evitar a angústia que causa. Em suma, o amor contrariado causa angústia. Igualmente, a agressão inibida causa angústia; e a angústia inibe as exigências do ódio e do amor. [...] a pessoa orgasticamente insatisfeita desenvolve um caráter artificial e um medo às reações espontâneas da vida; e assim, também, um medo de perceber as suas próprias sensações vegetativas.” (REICH, 1987, p.133).

“Se uma criança não tem diante de si exemplos de amor, ela própria terá dificuldade em entreter quaisquer desses sentimentos e, além disso, será incapaz de afastar aqueles impulsos primitivos que originalmente se dirigem contra o mundo externo.” (ABRAHAM, 1970, p. 199).

“É difícil dizer algo do comportamento da libido no id e no superego. Tudo o que sabemos sobre ela relaciona-se com o ego, no qual, a princípio, toda a cota disponível de libido é armazenada. Chamamos a este estado absoluto de narcisismo primário. Ele perdura até o ego começar a catexizar as idéias dos objetos com a libido, a transformar a libido narcísica em libido objetal. Durante toda a vida, o ego permanece sendo o grande reservatório, do qual as catexias libidinais são enviadas aos objetos e para o qual elas são também mais uma vez recolhidas, exatamente como uma ameba se conduz com os seus pseudópodos. É somente quando uma pessoa se acha completamente apaixonada que a cota principal de libido é transferida para o objeto e este, até certo ponto, toma o lugar do ego. Uma característica da libido que é importante na vida é a sua mobilidade, a facilidade com que passa de um objeto para outro. Isto deve ser contrastado com a fixação da libido a objetos específicos, a qual freqüentemente persiste durante toda a vida.Não se pode discutir que a libido tenha fontes somáticas, que ela flua para o ego de diversos órgãos e partes do corpo. Isto se vê mais claramente no caso daquela porção da libido que, por seu objetivo instintivo, é descrita como excitação sexual. As partes mais proeminentes do corpo de que esta libido se origina são conhecidas pelo nome de “zonas erógenas”, embora, de fato, o corpo inteiro seja uma zona erógena desse tipo. A maior parte do que conhecemos sobre Eros — isto é, sobre o seu expoente, a libido — foi obtida de um estudo da função sexual, que, na verdade, segundo a opinião dominante, ainda que não segundo a nossa teoria, coincide com Eros. Pudemos formar uma imagem da maneira como o impulso sexual, que está destinado a exercer uma influência decisiva em nossa vida, desenvolve-se gradativamente a partir de contribuições sucessivas de um certo número de instintos componentes que representam zonas erógenas específicas.” (FREUD, 1937-1939, Vol. XXIII, parte I – A mente e seu funcionamento, Capítulo II – A teoria dos instintos).

“O ciúme só existe por causa da infidelidade do ciumento.” (GRODDECK, 1997, p. 204).

“Catexia é a quantidade de energia psíquica que se dirige ou se liga à representação mental de uma pessoa ou coisa. [...] Quanto maior a catexia, mais ‘importante’ é o objeto, psicologicamente falando, e vice-versa. (BRENNER, 1987, p. 34).



A transferência

“O paciente vê nele o retorno, a reencarnação, de alguma importante figura saída de sua infância ou do passado, e, conseqüentemente, transfere para ele sentimentos e reações que, indubitavelmente, aplicam-se a esse protótipo. Essa transferência logo demonstra ser um fator de importância inimaginável, por um lado, instrumento de insubstituível valor e, por outro, uma fonte de sérios perigos. A transferência é ambivalente: ela abrange atitudes positivas (de afeição), bem como atitudes negativas (hostis) para com o analista, que, via de regra, é colocado no lugar de um ou outro dos pais do paciente, de seu pai ou de sua mãe. Enquanto é positiva, ela nos serve admiravelmente. Altera toda a situação analítica; empurra para o lado o objetivo racional que tem o paciente para ficar sadio e livre de seus achaques. Em lugar disso, surge o objetivo de agradar o analista e de conquistar o seu aplauso e amor. Este passa a ser a verdadeira força motivadora da colaboração do paciente; o seu ego fraco torna-se forte; sob essa influência realiza coisas que, ordinariamente, estariam além de suas forças; desiste dos sintomas e aparenta ter-se restabelecido — simplesmente por amor ao analista. Este pode modestamente admitir para si próprio que se dispôs a uma empresa difícil sem suspeitar sequer dos extraordinários poderes que estariam sob seu comando.
Ademais, a relação de transferência traz consigo duas outras vantagens. Se o paciente coloca o analista no lugar do pai (ou mãe), está também lhe concedendo o poder que o superego exerce sobre o ego, visto que os pais foram, como sabemos, a origem de seu superego. O novo superego dispõe agora de uma oportunidade para uma espécie de pós-educação do neurótico; ele pode corrigir erros pelos quais os pais foram responsáveis ao educá-lo. [...] Outra vantagem ainda da transferência é que, nela, o paciente produz perante nós, com clareza plástica, uma parte importante da história de sua vida, da qual, de outra maneira, ter-nos-ia provavelmente fornecido apenas um relato insuficiente. Ele a representa diante de nós, por assim dizer, em vez de apenas nos contar.
E, agora, o outro lado da situação. Uma vez que a transferência reproduz a relação do paciente com seus pais, ela assume também a ambivalência dessa relação. Quase inevitavelmente acontece que, um dia, sua atitude positiva para com o analista se transforma em negativa, hostil. Também isso, via de regra, é uma repetição do passado. Sua obediência ao pai (se se tratar do pai), sua corte para obter as simpatias deste, tem raízes num desejo erótico para ele voltado. Numa ocasião ou noutra, esta exigência pressionará seu caminho no sentido da transferência e insistirá em ser satisfeita. Na situação analítica, ela só pode defrontar-se com a frustração. Relações sexuais reais entre pacientes e analista estão fora de cogitação e mesmo os métodos mais sutis de satisfação, tais como preferência, intimidade, etc., só são concedidos parcialmente pelo analista. Uma rejeição desse tipo é tomada como ocasião para a mudança; provavelmente as coisas aconteceram da mesma maneira na infância do paciente.
Os sucessos terapêuticos que ocorreram sob a influência da transferência positiva estão sujeitos à suspeita de serem de natureza sugestiva. Se a transferência negativa leva a melhor, eles são soprados como farelo ao vento. Observamos com horror que todo o nosso esforço e labuta até ali foi em vão. Na verdade, o que poderíamos ter considerado como ganho intelectual permanente por parte do paciente, a sua compreensão da Psicanálise e sua confiança na eficácia desta, subitamente se desvanece. Ele se comporta como uma criança que não tem poder de julgamento próprio, mas que cegamente acredita em qualquer pessoa que ame e em ninguém que lhe seja estranho. O perigo desses estados de transferência evidentemente reside em o paciente não compreender a sua natureza e tomá-los por experiências novas e reais, em vez de reflexos do passado. Se ele (ou ela) se dá conta do forte desejo erótico que se acha escondido por trás da transferência muda, sente-se então insultado e desprezado, odeia o analista como seu inimigo e está pronto a abandonar a análise. Em ambos esses casos extremos, esqueceu o pacto que fez no início do tratamento e que se tornou inútil para a continuação do trabalho comum. É tarefa do analista tirar constantemente o paciente da ilusão que o ameaça e mostrar-lhe sempre que o que ele toma por uma vida nova e real é um reflexo do passado. E para que não caia num estado em que fique inacessível a qualquer prova, o analista toma o cuidado de que nem o amor nem a hostilidade atinjam um grau extremo. Isto se faz preparando o paciente, em tempo, para estas possibilidades e não negligenciando os primeiros sinais delas. Um manejo cuidadoso da transferência, de acordo com essa orientação, é, via de regra, extremamente compensador. Se conseguimos, como geralmente acontece, esclarecer o paciente quanto à verdadeira natureza dos fenômenos de transferência, teremos tirado uma arma poderosa da mão de sua resistência e convertido perigos em lucros, pois um paciente nunca se esquece novamente do que experimentou sob a forma de transferência; ela tem uma força de convicção maior do que qualquer outra coisa que possa adquirir por outros modos.
Achamos muito indesejável que o paciente atue fora da transferência, em vez de recordar. A conduta ideal para os nossos fins seria que ele se comportasse tão normalmente quanto possível fora do tratamento e expressasse suas reações anormais somente na transferência.” (FREUD, 1937-1939, Vol XXIII, Parte II – O trabalho prático, Capítulo IV – A técnica da Psicanálise).

“O sujeito forma sempre e mais ou menos uma certa unidade mais ou menos sucessiva, cujo elemento essencial se constitui na transferência. E o analista vem a simbolizar o sobre-eu, que é o símbolo dos símbolos. O sobre-eu [surmoi] é simplesmente uma palavra que não diz nada (uma palavra que interdita). O analista precisamente não tem dificuldade alguma para simbolizá-la. É precisamente o que ele faz.” (LACAN, 1953).

“O paciente repete em lugar de recordar, diz Freud (1914). O paciente atua o que talvez não possa recordar como memória evocativa, presentificando na repetição aspectos de seu passado infantil. [...] Com o fenômeno da repetição, tornam-se patentes a força e o sentido da realidade psíquica. A natureza infantil da repetição também é corroborada pela qualidade das demandas em jogo na situação transferencial. A repetição, assim como a memória, pedem um objeto; alguma coisa tem que ser evocada, alguma coisa será repetida. [...] A transferência transforma-se na chave de acesso à constituição fatasmática do sujeito. [...] Ela permite o acesso às vicissitudes do recalque, ao conteúdo das fantasias inconscientes. Atual e inatual se corporificam num movimento que chamamos de transferencial, no qual e pelo qual o paciente procura se defender como outrora fazia de seus próprios impulsos libidinais e agressivos. A transferência é, ao mesmo tempo, expressão do desejo e da defesa.”” (TANIS, 1995, pp. 105-115).


"Mais adaptado à natureza das coisas, se considerarmos que tudo aquilo de que se trata na análise é da ordem da linguagem, isto é, afinal de contas, de uma lógica. Conseqüentemente, é o que justifica esta formalização que intervém como uma hipótese. Quanto ao que você diz de Freud não concordo que no assunto da transferência, ele tenha tomado de empréstimo modelos mais ou menos atomísticos, associacionistas, ou até mecanicistas do estilo de sua época. 
O que me parece impressionante é a audácia com que ele admitiu completamente não repudiar no registro da transferência o amor, pura e simplesmente. Ele absolutamente não considera que isso seja uma espécie de impossibilidade, de impasse, algo que saía dos limites. Ele viu muito bem que a transferência é a própria realização da relação humana sob sua forma mais elevada, realização do símbolo que está aí, no início e no fim de tudo aquilo. E entre um começo e um fim, que são sempre a transferência; no início, em potência, dada pelo fato que o sujeito vem, a transferência está aí pronta para se constituir. Ela está aí desde o início. Que Freud tenha feito entrar o amor nela é uma coisa que deve nos mostrar até que ponto ele dava seu alcance a estas relações simbólicas, mesmo no plano humano, pois, afinal de contas, se devemos dar um sentido a este algo de limite, sobre o que quase não se pode falar, que é o amor, é a conjunção total da realidade e do símbolo que formam uma única e mesma coisa." (LACAN, 1953).



A resistência

“O método pelo qual fortalecemos o ego enfraquecido tem como ponto de partida uma ampliação do autoconhecimento. Isso, naturalmente, não é toda a história, mas apenas seu primeiro passo. A perda de tal conhecimento significa, para o ego, uma abdicação de poder e influência; é o primeiro sinal tangível de que está sendo encurralado e tolhido pelas exigências do id e do superego. Por conseguinte, a primeira parte do auxílio que temos a oferecer é um trabalho i